O Mosteiro de Alcobaça é um dos monumentos mais importantes da história de Portugal e o primeiro grande mosteiro gótico do país. A sua construção começou em 1178, apenas algumas décadas após a fundação do reino, e reflete bem a ligação entre a monarquia portuguesa e a Ordem de Cister.
Os monges cistercienses seguiam uma vida marcada pela simplicidade, disciplina e trabalho, o que se reflete diretamente na arquitetura do mosteiro: linhas sóbrias, poucos elementos decorativos e uma forte sensação de equilíbrio e harmonia.

Durante séculos, o mosteiro não foi apenas um espaço religioso, mas também um importante centro de poder económico e cultural. Os monges administravam vastas extensões de terras — o chamado Couto de Alcobaça — e foram responsáveis por avanços significativos na agricultura, como técnicas de irrigação, cultivo de vinhas e produção de azeite.

Graças a essa organização, a região prosperou e Alcobaça tornou-se uma das zonas mais ricas e bem estruturadas do país na Idade Média.
Ao longo do tempo, o mosteiro sofreu várias alterações. Durante os períodos manuelino e barroco, foram acrescentados alguns elementos decorativos, como a Sala dos Reis, com estátuas dos monarcas portugueses, e partes mais ornamentadas em contraste com a austeridade original cisterciense.
No século XIX, com a extinção das ordens religiosas em Portugal, o mosteiro foi abandonado pelos monges e passou por um período de degradação, sendo posteriormente restaurado e transformado em monumento nacional.

A Igreja de Alcobaça e os túmulos de D. Inês e D. Pedro: amor, tragédia e eternidade
A Igreja do Mosteiro de Alcobaça é um dos espaços mais emocionantes do patrimônio português. De estilo gótico cisterciense, destaca-se pela sua grandiosidade aliada à simplicidade, criando um ambiente solene que prepara o visitante para uma das histórias de amor mais trágicas e famosas da Europa.

Foi neste espaço que D. Pedro I decidiu eternizar o seu amor por D. Inês de Castro, mandando construir dois túmulos que não são apenas obras-primas da escultura medieval portuguesa, mas também símbolos de um amor que desafiou a morte.
A história por trás dos túmulos
D. Inês de Castro era galega e apaixonou-se por D. Pedro ainda durante o seu casamento com D. Constança. Após a morte de Constança, D. Pedro manteve a relação com Inês, o que gerou grande tensão política na corte portuguesa. Temendo a influência castelhana, o rei D. Afonso IV ordenou o assassinato de Inês em 1355.

Quando D. Pedro subiu ao trono, dois anos depois, vingou a morte da amada e declarou que Inês tinha sido sua legítima esposa, tornando-a rainha depois de morta. A lenda conta que o corpo de Inês foi coroado e que a corte foi obrigada a beijar a sua mão — uma das passagens mais marcantes da história portuguesa.
Os túmulos: arte e simbolismo
Os túmulos encontram-se colocados frente a frente, no transepto da igreja, para que, segundo a tradição, D. Pedro e D. Inês se reencontrem no dia da Ressurreição.
- Túmulo de D. Inês de Castro: ricamente decorado com cenas do Juízo Final, anjos e figuras simbólicas, reforçando a ideia de redenção e eternidade. É sustentado por criaturas fantásticas e figuras humanas, num trabalho escultórico de grande detalhe.
- Túmulo de D. Pedro I: igualmente elaborado, apresenta cenas da vida de São Bartolomeu e episódios da própria vida do rei, numa afirmação clara da sua autoridade e do amor por Inês.
Ambos os túmulos são considerados das mais importantes obras da escultura gótica em Portugal, impressionando não só pela técnica, mas pela carga emocional que carregam.
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